Uma sequência de acidentes envolvendo ônibus e veículos de turismo tem acendido o alerta nas estradas da Bahia em 2026. Tombamentos, colisões e batidas com outros veículos já deixaram mortos e dezenas de feridos em diferentes regiões do Estado, enquanto fiscalizações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam problemas que vão do comportamento dos motoristas às condições dos veículos.
Levantamento feito pela Tribuna da Bahia localizou ao menos cinco acidentes com vítimas envolvendo ônibus identificados como de turismo neste ano. Juntos, os casos deixaram pelo menos seis mortos e 30 feridos, considerando também vítimas que estavam em outros veículos envolvidos nas colisões.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em agosto, quando 13 passageiros ficaram feridos depois que um ônibus de turismo que fazia a rota Brasília–Porto Seguro se envolveu em uma colisão com uma carreta na BR-349, em Correntina, no Oeste baiano. O coletivo transportava 44 pessoas. Já em setembro, quatro jovens morreram após o carro em que estavam bater contra um ônibus de turismo na BA-131, em Piritiba. Nenhuma pessoa que seguia no coletivo ficou ferida.
No transporte turístico interestadual, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou à Tribuna que fiscalizou 38 veículos de empresas habilitadas para fretamento na Bahia em 2026 e lavrou 14 autos de infração. Considerando a fiscalização realizada em diferentes pontos do País, 83 veículos abordados tinham a Bahia como origem ou destino.
Ações
No conjunto das ações realizadas no Estado, a ANTT contabilizou 2.532 fiscalizações, 160 autos de infração, 20 retenções, um transbordo e uma apreensão. Um veículo de transporte clandestino também foi apreendido na Bahia. Pela lógica de rede, 60 veículos clandestinos apreendidos no País tinham o Estado como origem ou destino.
Para operar regularmente no fretamento interestadual, a empresa precisa possuir Termo de Autorização de Fretamento válido e emitir licença de viagem. Veículos e motoristas também devem estar habilitados, com Seguro de Responsabilidade Civil e Certificado de Segurança Veicular em dia.
Os dados gerais da Polícia Rodoviária Federal mostram, porém, que a gravidade dos sinistros com ônibus e micro-ônibus cresceu nas rodovias federais baianas. Entre janeiro e setembro, foram registrados 126 acidentes, contra 118 no mesmo período de 2025. O número de feridos saltou de 162 para 283, alta de 74,7%, enquanto as mortes dobraram, de 11 para 22. Os sinistros graves passaram de 12 para 17.
Aumento
A inspetora Fernanda Maciel, da PRF, disse à Tribuna da Bahia que o aumento tem chamado a atenção da corporação. “Tanto o número de sinistros, sinistros graves, feridos e o número de óbitos passaram por acréscimos em 2026”, destaca. Entre as causas mais frequentes estão falta de distância segura, reação tardia ou ineficiente do motorista, ausência de reação, acesso à via sem observar outros veículos, circulação na contramão e velocidade incompatível.
A BR-116 lidera os registros envolvendo ônibus e micro-ônibus, com 35 ocorrências neste ano, seguida pelas BR-324, com 30, e BR-101, com 21. Fernanda chama atenção ainda para o uso do cinto. “É muito difícil, quando a gente faz fiscalização, se deparar com passageiros que estejam utilizando o cinto de segurança”, afirma.
A PRF também ampliou em 40,3% a fiscalização desse tipo de veículo, com 2.362 ônibus e micro-ônibus abordados até setembro. Entre as irregularidades mais recorrentes estão problemas em equipamentos obrigatórios, descumprimento da jornada de descanso, passageiros sem cinto, veículos em mau estado de conservação e documentação irregular.
*TRBN